segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Numa rede...




Numa rede...

Chão de terra, terra molhada...
rios e flores, céu estrelado...
Uma rede; e teus cabelos embalados,
uma mão por sobre tua tez
e uma rosa ao seios...

Vestes brancas, olhos fechados...
toma-te do colo a cama...
e sorris ao deslizar da mão
que desenha-lhe face à nuca,
e lhe beija os lábios enquanto dormes...

A lua lhe prateia a pele morena,
e como num sonho realça tuas formas,
enquanto abres os olhos e vês outros castanhos,
como que incrédulo de tua presença...

Teu perfume mistura com os das flores,
enquanto abraçados, silenciam as falas,
e se tocam como a pena mais suave,
e dormem incautos de desejos...

Lúcio Vérnon