sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Tempos modernos



Não há mais espaço para versos,
palavras são avessos dos sentidos,
e já é preciso defender o óbvio,
que de ululante se torna antônimo.

Já não há mais tempo para o tempo.
A urgência nos obriga ao novo,
repetido diariamente em acasos
tão factuais e tão premeditados.

Não mais há a motivação,
motivos são alvo da irracionalidade,
de preceitos e pré-conceitos por interesses,
desinteressantes da matéria.

Já não há mais nada...
A vida se perdeu no espaço
cheio do vazio de casos
recriados por momentos não realizados.

Lúcio Vérnon