quarta-feira, 19 de março de 2008

Por ti.

Palavras e sentimentos soltos ao vento. Uma morte interna, uma reviravolta indesejada. Um eu que não existe mais. Experimento uma avalanche de descobertas. É possível encontrar sua felicidade em outra pessoa? Será que foi isso que andei procurando? Por isso dá errado? E felicidade afinal, o que diabos seria? Alguém a conhece? Perguntas também em vão, desconexas entre si. Onde me encontro agora, nesse inferno que aceitei... Quero me sentir segura, não quero me prender. Não quero aceitar o que sinto, mesmo não conseguindo impedir. Quero fugir, mas não quero me perder. Algum dia sonho conseguir me guiar sozinha, porém não solitária...

Cristine do Espírito Santo.®

DOR

Thalles não queria acordar. Seu espelho não o fazia se sentir bem como antes. As conversas, nem sabia mais distinguir quais eram reais e quais eram imaginárias, ninguém mais importava. Bem, quase ninguém. Havia aquela moreninha de cinco anos, que o idolatrava. Sempre que olhava para ela se sentia melhor. Era como ver a si mesmo, tão parecidos os seus rostos. Adorava quando ela corria em direção aos seus braços, deixando de lado até sorvete! Sabia que seu amor era incondicional, como a fazia sorrir. Faria qualquer coisa para ver seu lindo sorriso infantil. Mas ultimamente nem sua irmãzinha funcionava. Na verdade, preferia nem pensar nela pelo que estava prestes a fazer. Não queria pensar em ninguém. Nada o satisfaria, nada. Ele percebia a gravidade do que estava acontecendo, e conseguia ver razoavelmente o choque que causaria naqueles que o amavam. O choque foi incontavelmente maior. Naquela noite de Carnaval, era o momento certo. Não havia ninguém em casa além da menina. Viram televisão juntos, conversaram, brincaram, e finalmente a criança adormeceu. Ele fraternalmente a carregou nos braços, até a cama de seus pais. Antes de deixá-la, beijou-a a testa e disse que a amava. Pediu desculpas. Esperava que um dia ela pudesse perdoá-lo. Saiu do quarto devagar, fechando a porta. Pegou a arma do pai no armário alto, alcançando-a facilmente com seu 1,85m. Carregou o velho revólver com apenas uma bala, e então trancou-se no banheiro. Um tiro no coração foi o suficiente. O rapaz de dezenove anos estava morto. Em seu rosto uma expressão suave de alívio. Porém seu tesouro mais precioso foi abandonado naquela cama de casal.

*Em memória de Cristiano, irmão amado. Minha vida não importou para mais ninguém desde aquele dia. Sua morte foi a minha maldição.

Cristine do Espírito Santo. ®