sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Poema antigo...

Diálogo

Caneta

Escreve cansada mão, Que nunca se esquece Das letras que saem em vão Para poemas que sempre tece.

Escreve a mão trepida, Caminhos em versos avessos, Frase insensata, talvez corrompida Por dores da alma e dos ossos.

Tinteiro

Escorre a tinta no papel pobre Manchando o peito sem uma gota, Criando sentimentos que o cobre, Gastando a tinta, mas quem importa? Escorre a tinta em amarelado papel, Discorre fatos de tragédia já falada, Relembra gostos do mel e do fel... E mostra o sangue do coração à facada.

Poeta

Calem-te loucos de mau agouro! Deixem-me sentir e escrever... Deixem-me no capitel louro Descansar a ilusão do meu ver...

Calem-te companheiros loucos! Deixem-me chorar o pranto antigo, Que também são teus gritos roucos! Do amor que se tornou castigo...

Lúcio Vérnon®