quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

ICÓGNITA

Fecha os olhos para não ver o tempo passar, fecha os olhos e não quer saber de quem está logo à frente observando tudo com movimentos leves, para não perder nenhum momento com um movimento brusco. Pensa em algo distante quanto tudo que está do outro lado da realidade.

Fecha os olhos e não mais quer saber do que estar para acontecer, não quer saber das palavras pronunciadas, mesmo que essas consigam penetrar os pensamentos retirando uma lágrima cristalina que desce calada e solitária, e secreta para que não seja percebida; e não quer saber daquele lugar, e respira fundo, e olha para cima, não com um ar de dramaticidade, mas apenas para contemplar as estrelas que formam desenhos nos céus; olha para cima apenas para contemplar a lua que vem saudar e salvar aquele momento de minutos que deveriam ou devem ainda ser esquecidos logo após o fim. Fecha os olhos e não mais ouve, não mais sente, não mais está ali.

Dança enquanto caminha, ouvindo uma música que sai do vazio, apenas para acalantar suas tristezas e preocupações, não se importa com quem passa olhado, não se importa com quem passa falando, apenas sente o que ouve.

Dança e as vezes canta em voz alta de qualquer forma, para que no fim possa simplesmente soltar um sorriso que normalmente não sai sem algum sentido. E sorri para sorri sozinho, para achar graça de si mesmo.

Dança enquanto caminha, e baila numa festa real de apenas um convidado, já que para todos tudo tem que haver algo lógico. Dá gargalhadas quando tudo é mero silêncio.

Cala, quando em volta de muita gente, prefere ficar em silêncio quando não entende os motivos do porque as pessoas, as vezes é tão fútil. Cala, as vezes quando não deve, mas fala quando precisa, e fala sem pudor. Prefere ficar em silêncio antes de falar.

Cala e consente quando falam como é, ou quem é, ou ainda o que é, aceita simplesmente sem nada falar, e fala concordando com tudo o que dizem, sabe que o importante é estar bem consigo mesmo. Palavras sem sentido não faz sentido algum martirizar dentro de si.

Fecha as mãos em posição de luta quando vê algo errado, fecha as mãos em comemoração, fecha a mão para sentir uma música.

Fecha as mãos apenas para sentir-las se fechando, apenas para sentir-se com vida. Fecha as mãos por puro prazer de fechar quando gosta ou não de algo.

Brinca com a imaginação sempre que pode, não para ser apenas alguém com boa imaginação ou ser aclamado por isso, mas apenas para fugir de tudo o que cerca naquele lugar, brinca com a imaginação, para fazer algumas pessoas rirem quando realmente necessita.

Brinca com a imaginação a para se acalmar de um dia ruim, ou para continuar em um dia bom. Brinca para ser o mesmo, e nunca se esquecer que ainda tem um coração acima de tudo.

E escreve. Escreve qualquer coisa que venha à cabeça, escreve por escrever ou para contar algo a alguém, escreve tudo com algum sentido ou sem sentido, escreve pelo prazer de brincar com as palavras, vendo-as formarem frases e textos, escreve para ver as palavras criarem vida.

Escreve para colocar para fora o que sente, para não julgar antes de conhecer, para não falar antes de dever, para se lembrar que palavras podem machucar, para ser triste ou feliz a sua maneira. Escreve para esconder o que sente ou o que viu, ouviu, foi ou ainda é. Escreve pelo gosto da escrita, escreve para amar, sorrir, chorar, cantar. Escreve para não mais usar as armaduras, as máscaras. Escreve para ser transparente.

Lúcio Vérnon®