sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Acompanhante

ACOMPANHANTE

I

Um corpo inerte ao espelho; Olhos vagos, vazios, desiludidos; Um corpo mórbido, frio e distante; Sonhos em algum lugar, longe...

Perdido na imensidão do nada, Amando sem amar; prazendo sem prazer... Queria partir, queria sonhar, talvez ser feliz... E os ponteiros sempre se separam...

Um corpo apenas, nada mais além; Um já padecido ser que ainda vive. Um corpo já entregue, acomodado, morto. Esperanças, pensamentos, fora e vão por aí.

Vontade de chorar, a boca treme... Vontade de sair correndo em busca. Um ser que ouve as lembranças... Tolo. Que chora, sente, rir – isso não como antes.

II faz frio lá fora... A lágrima é salgada. O espelho já não é apenas a visão de si... Um corpo apenas, e nada mais além disso. Um corpo apenas, vazio, amando sem amar.

O vento frígido toca a face sutil... Quão sutil toque esquecido pelos ponteiros. Ponteiros sempre se encontram para separar-se. Queria que a própria vida assim não fosse...

Um corpo anãs pedras, beira mar... Beira agonia de não sentir-se... Queria poder ser qualquer ser. Não pode. Queria sonhar e ser feliz. Proibido pelo tempo.

Lúcio Vérnon. Goiânia 18.01.08®